Um domingo de lazer em São Paulo

  • Parque Ibirapuera, em São Paulo
  • Parque Ibirapuera, em São Paulo
  • Caixa registradora na feira de antiguidades do Masp, em São Paulo

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Sempre que venho a São Paulo é a mesma correria: muita coisa pra fazer em pouco tempo, engarrafamentos que atrapalham a produtividade e um emaranhado enorme de ruas e avenidas que até o GPS se confunde. Nunca pude realmente sentar à toa, sem me preocupar com o relógio e só aproveitar a cidade como um bom paulistano se orgulha. Eis que o dia finalmente chegou.

Nosso voo era só à noite, e tínhamos um domingo inteiro pra passar na capital. Sem reuniões, sem gravações, sem trabalho. E o dia estava realmente perfeito: céu sem nehuma nuvem, sol brilhando forte e temperatura superagradável por volta dos 21-22 graus num delicioso dia de inverno.

Como estávamos hospedados no Mercure Ginásio Ibirapuera, que fica bem perto do parque, não tivemos dúvida: começamos o dia com uma boa caminhada. Pouco tempo antes meu pai tinha comentado que o Ibirapuera tinha sido eleito o melhor parque urbano do mundo. Procurei na internet e encontrei a matéria do The Guardian, que enche de elogios o trabalho que Burle Marx e Oscar Niemeyer desenvolveram no local. Realmente, eu já tinha ido 3 vezes ao Ibirapuera, mas sempre a trabalho: uma gravação de um programa dos EUA em 2005, uma visita de inspeção em 2011 para a escolha do lugar de um evento e o Prêmio Craque Brasileirão da CBF no final do mesmo ano. Ou seja, conheci o parque de vestido, maquiagem e salto alto.

Dessa vez foi tudo diferente. Além da paisagem que é lindíssima, adorei o fato de que lá você não escuta o barulho da cidade. Há barulho sim, mas só de crianças, pássaros e ganços. Um paraíso. Fora que há diversas trilhas para corrida, caminhada, patins, bicicleta, etc. Cada dia você pode escolher uma diferente, dependendo da vontade de malhar mais ou menos. Ficamos ali umas 2 horas, até que decidimos ir para o outro cartão postal de São Paulo: a Av. Paulista.

Eu adoro a Av Paulista. Acho que ela tem um charme único. Adoro ver as poucas construções antigas que ainda restam e imaginar como seria este lugar nos tempos áureos da exportação de café. Adoro andar de um lado para o outro, percorrendo quase que a avenida inteira. E o domingo é um dia perfeito pra isso.

Toda aquela loucura de 300 motos num espaço onde caberiam 10, gente atrasada para o trabalho e a correria pra pegar o metrô dão lugar a uma outra multidão, fomada por aqueles que querem aproveitar o dia. As calçadas estão cheias de famílias passeando, as ruas e a ciclovia mal cabem tantas bicletas (e isso porque uma facha de cada lado é fechada ao trânsito e dedicada aos ciclistas). Tudo muito bem organizado e muito seguro.

Paramos para um lanchinho básico. No dia em que viajávamos de volta para os EUA, queria comer um útlimo pão-na-chapa com suco de abacaxi. E o Gordon adora o misto-quente com pão francês. Na esquina da Paulista com a Alameda Joaquim Eugênio de Lima há vários cafés/bares/restaurantes que pareciam em festa de tanta gente, então nem pensamos duas vezes. Tudo estava ótimo, fora o preço. Juro que só comemos o que descrevi e o Gordon só tomou um café com leite. Pagamos 40,00. Não era um desses cafés gourmês e o lugar não tinha qualquer sofisticação, mas esse é o preço de se estar no coração da Nova York dos trópicos.

Depois percebi que poderíamos ter comido bem melhor pelo mesmo preço, já que justamente naquele final de semana acontecida ali ao lado, no Club Homs, a 1ª feira gastronômica da Avenida Paulista. Mas olha… deu preguiça só de olhar para o tamanho da fila de entrada, que dobrava o quarteirão. Adoraríamos ter experimentado algumas novidades culinárias, mas realmente não estávamos no clima de ficar em pé na fila por no mínimo uma hora…

Seguimos então para o lado oposto, até o Masp. Adoro museus, mas dessa vez queríamos mesmo era ver a feirinha de antiguidades que acontece aos domingos  embaixo do prédio. O Gordon adora ver tudo o que é antigo e continua bem conservado, principalmente se for uma caixa registradora… rsrsrs. Explico: aqui no Brasil já vimos duas maravilhosas, que até eu, que prefiro uma decoração mais moderna, compraria na hora se pudesse. E elas têm o botão “fiado”, o que diz muito sobre como funcionada a economia no país em boa parte dos séc XIX e XX. Essas peças são verdadeiras preciosidades. Talvez um dia ele me convença a colocar uma dessas no nosso escritório. Mas estou até com medo de perguntar o preço!

A tarde continuou uma delícia, paramos no parque Trianon para descansar antes de caminhar de volta até o hotel e o tempo praticamente voou. Já estava quase na hora de ir para o aeroporto. Voltamos para os EUA bem descansados mentalmente, apesar do cansaço físico (que até me ajudou a dormir quase que o voo inteiro…). Mas principalmente, com lembranças bem mais agradáveis e até saudades da cidade que pra mim, até então, só era sinônimo de trabalho e trânsito.

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  • Category
    América do Sul
  • Location
    São Paulo
  • Tags
    antiguidades, avenida paulista, ibirapuera, masp, parques nacionais e estaduais, são Paulo
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