2 Dias em Toronto – Dia 1

  • Toronto, Canada
  • Toronto Old Town
  • Distillery District in Toronto, Canada

Description

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(Vídeo abaixo)

Chegamos em Toronto de carro, vindo da parte oeste do estado de Nova York e cruzando a fronteira entre os EUA e o Canadá na cidade de Buffalo. Após uns dias conhecendo a cidade de Niágara Falls já na parte canadense, seguimos rumo à maior metrópole do país. A viagem de carro por si já é superinteressante porque é possível ver nitidamente como as estradas, a paisagem e a cultura em geral mudam assim que você faz a imigração. A maior parte do extremo norte dos Estados Unidos é bem despovoada enquanto o sul do Canadá está fervendo. E isso fica ainda mais nítido quando você chega a Toronto.

A cidade se localiza numa área densamente povoada conhecida como Golden Horseshoe, na extremidade oeste do Lago Ontário, onde vivem mais de 8,6 milhões de pessoas. Isso representa 26% da população inteira do Canadá, sendo que 1/3 vive em Toronto propriamente. Nas ruas você provavelmente vai escutar mais idiomas diferentes que em qualquer outra metrópole do mundo. Esta é uma cidade de imigrantes. Tanto que 50% dos moradores nem nasceram no Canadá! E todo mundo convive superbem. Todo mundo, claro, traz um pouco da sua cultura original, o que faz desta região numa das mais ecléticas do país.

Chegamos para uma rápida estada de 2 dias. Ao mesmo tempo em que eu queria conhecer as atrações mais famosas, eu estava também cheia de planos pra visitar os diferentes bairros e conhecer a cidade quase tão bem quanto alguém de lá. Fiz tanta pesquisa que praticamente decorei o mapa.

Nós ficamos em North York, uma das áreas mais diversificadas de Toronto. O lugar, que tem mais de 600 mil moradores, já chegou a ser uma cidade independente, mas agora pertence à cidade de Toronto. Mas de North York só aproveitamos mesmo o café-da-manhã, já que todos os lugares turísticos ficam mais ao sul da cidade, perto do Lago Ontário. A grande vantagem de lá é que os hotéis são muito mais em conta e você nem precisa se preocupar em tirar o carro da garagem. Você pode pegar o metrô e fazer conexões com ônibus municipais se necessário ou então só caminhar de uma atração à outra. Um único day pass de CAD 11,50, nenhum engarragamento e nada de estacionamentos caríssimos!

Dedicamos o primeiro dia a conhecer as várias regiões do centro. A história urbana de Toronto teve início em 1793, e vários prédios antigos foram totalmente reformados e estão muito bem preservados. Eles obviamente contrastam com a arquitetura moderna, mas essa foi uma das características de que mais gostei.

Saímos do metrô na King Station, prontos para caminhar da centro antigo até o Distillery District. Se eu fosse fazer de novo, acho que não começaria assim, já que o Distillery me pareceu ser um lugar superlegal pra ir à noite. Há vários bares e restaurantes que não pude aproveitar por estar lá pela manhã. Mas foi bem interessante ver como a área da antiga destilaria Gooderham and Worts (que já foi a maior produtora de bebidas alcoólicas do país) é hoje uma das regiões mais divertidas pra se morar e aproveitar a vida. Curiosamente, nesta área está localizada a maior quantidade de arquitetura industrial da Era Vitoriana em toda a América do Norte.

Após passar a manhã inteira admirando o lugar e a arquitetura, voltamos para a “parte mais central do Centro”, que eles chamam de Downtown Core. Lá e no Financial District é possível encontrar alguns dos melhores restaurantes na cidade. A gastronomia é algo que realmente não vai te preocupar em Toronto, já que boas opções (e algumas com vistas maravilhosas) não faltam. Decidimos ir ao Bannock porque eles são especializados em comida canadense, e eu queria experimentar o famoso poutine. Os preços são razoáveis e a experiência em si foi bem legal.

De lá, naturalmente seguimos para o Hall da Fama do Hóquei sobre o gelo. Meu marido é canadense, então é claro que ele é louco por hóquei. Pra quem gosta de hóquei, este é um lugar imperdível. Eles têm coleções antigas, várias histórias sobre as lendas da Liga Nacional do Hóquei (NHL) e, claro, sobre a Stanley Cup. Para aqueles que não têm a menor noção sobre o que estou falando, este é o troféu dado anualmente ao campeão da NHL. Foi uma boa surpresa também ver o nível de conhecimento dos funcionários em tudo o que diz respeito a hóquei sobre o gelo. Eles me contaram histórias de torneios passados e vários detalhes aqui e ali que certamente fizeram a visita bem mais interessante. O museu tem também uma área interativa, que as crianças adoram. Até eu virei criança por 5 min no estúdio de TV simulando uma apresentação do SportsCentre, que é um dos programas de esportes mais famosos na TV norte-americana (no vídeo abaixo você vê bem a brincadeira…). Depois de qualquer um dos jogos interativos, você pode receber de graça o vídeo com a sua performance, o que acaba virando festa nas redes sociais por aqui.

Toronto tem várias avenidas que cruzam a cidade de norte a sul, lesta a oeste, e com isso, fica muito fácil entender onde você está e como fazer para ir do ponto A ao ponto B. A rua Yonge (pronuncia-se como em “young”), é provavelmente uma das principais, pois ela concentra várias empresas, a linha Yonge-University do metrô (que é a principal) e devido à importância histórica conectando Toronto ao norte do Canadá, é também conhecida como “Mais Street Ontário” (toda cidade norte-americana tem uma “Main Street”, então eles se referem à avenida como a principal rua da província de Ontário). Parando na estação da Dundas Street você sai na Yonge & Dundas Square, uma espécie de “Times Square de Toronto”. Juro que não li essa associação em nenhum lugar (imagino que outras pessoas tenham imaginado a mesma coisa), mas foi o que pensei na hora quando vi o lugar, pois é lá que tudo acontece em termos de eventos. Tem sempre alguma coisa rolando, às vezes há shows de graça, happy hours dos bares, etc. É um lugar legal pra conhecer. E pra quem adora umas comprinhas, logo em frente está o Eaton Centre.

Toronto é uma cidade que respira arte e cultura de uma forma geral. O Festival Internacional de Cinema de Toronto, por exemplo, atrai milhares de pessoas do mundo todo em setembro. Quando eu morava em Los Angeles e cobria cinema, este era um dos principais eventos para a indústria de Hollywood. Uma pena que estou aqui em maio… Mesmo assim, quando você vem à cidade vale a pena incluir alguma atividade cultural. Várias atrações turísticas oferecem eventos especiais de acordo com a época do ano, e eles podem trazer experiências bem variadas.

Nos nossos 2 dias infelizmente não havia nada especial programado. Mas também não faria muita diferença, já que já vários museus, galerias e peças de teatro por toda parte. Da praça Yonge & Dundas, andamos uns 10 quarteirões até chegarmos à Galeria de Artes de Ontário, que tem mais de 80 mil peças em exposição (algumas contemporâneas, outras datadas de centenas de anos atrás). Quem realmente aprecia a arte precisa de umas 2-3 horas pra ver tudo, já que este é um dos maiores museus da América do Norte e ao longo dos anos já apresentou algumas das mais importantes exposições. Se tivéssemos mais tempo, eu adoraria ter ido também ao Royal Ontario Museum (museu de arte, cultura e história natural) e ao Bata Shoe Museum (um museu de sapatos (!), que deve ser bem divertido).

Após fazer isso tudo num mesmo dia e principalmente após caminhar tanto, um turista qualquer já estaria mais que cansado, doido pra se jogar na cama do hotel. Mas como os dias estão cada vez mais longos (está claro até as 9h da noite), convenci o Gordon a irmos de barco até as ilhas de Toronto com o único objetivo de ver o pôr do sol por trás dos arranha-céus. A ideia nos trouxe as imagens maravilhosas que vocês podem ver no final do vídeo abaixo, mas também quase congelamos com o frio e o vento. A temperatura caiu muito assim que saímos da marina, e a essa hora, quando você chega às ilhas, não há outra opção para voltar. Você tem que esperar até o próximo barco, que demoraria cerca de 2 horas. Você realmente precisa se planejar, já que na Ilha Central (onde fomos) não havia nenhum lugar pra comprar uma água! Nenhum bar ou restaurante aberto. Por outro lado, esse passeio acabou sendo bem engraçado, já que 90% dos que estava no barco eram fotógrafos amadores ou profissionais. Todo mundo com a mesma ideia: fotografar o lindo pôr-do-sol num dia que, se não fosse o frio, seria perfeito. As fotos e vídeos se tornaram um dos pontos altos da nossa viagem.

Agora vocês devem estar se perguntando qual é o lado ruim de Toronto, já que só falei de coisas boas… Pois bem… já dei uma dica acima. O clima em Toronto é cruel. As temperaturas podem variar de -40 no inverno a 40 graus no verão. Durante esta visita em meados de maio, experimentamos de tudo entre 7 e 14 graus, mas os ventos às vezes congelantes quase me convenciam de que em alguns momentos deveria estar abaixo de zero… Mas a cidade está bem preparada para ambas as realidades. Eles têm um sistema subterrâneo chamado “Path” que se expande por 30 km e conecta o metrô a vários edifícios no centro. Conheço gente que nem anda na rua direito, já que moram em locais com ligação direta até o metrô (em cima de shoppings, por ex, que contam com estações internas) e trabalham em empresas conectadas ao Path. Nem precisam carregar casacões de inverno. Imagina!

Bom, o primeiro dia foi suficiente pra entender como a cidade funciona, as direções, etc. Aproveitamos o segundo dia pra curtir outras principais atrações, como a CN Tower e a Casa Loma. Essa decisão também foi por causa do tempo, já que estava nublado na maior parte do primeiro dia (como você pode ver no vídeo abaixo) e a previsão era de sol a partir das 7h da noite. Por isso tivemos um pôr-do-sol lindo e conseguimos ótimas imagens do alto da torre. Ainda bem que o plano funcionou.

E você? O que achou? Tem mais alguma dica?

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  • Category
    América do Norte
  • Location
    Toronto
  • Tags
    canada, distillery district, fronteira eua-canadá, hockey, hockey hall of fame, ontario, toronto
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